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Devaneios Oniricos

"Quando a primeira coisa viva existiu, eu estava lá esperando... Quando a última coisa viva morrer, meu trabalho estará terminado... Então, eu colocarei as cadeiras sobre as mesas, apagarei as luzes, e fecharei as portas do universo, enquanto o deixo para trás..."

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    A maior faculdade que nossa mente possui é, talvez, a capacidade de lidar com a dor. O pensamento clássico nos ensina sobre as quatro portas da mente, e cada um cruza de acordo com sua necessidade.
      Primeiro, existe a porta do sono. O sono nos oferece uma retirada do mundo e de todo o sofrimento que há nele. Marca a passagem do tempo, dando-nos um distanciamento das coisas que nos magoaram. Quando uma pessoa é ferida, é comum ficar inconsciente. Do mesmo modo, quem ouve uma notícia dramática comumente tem uma vertigem ou desfalece. É a maneira de a mente se proteger da dor, cruzando a primeira porta.
      Segundo, existe a porta do esquecimento. Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar, ou profundas demais para cicatrizar depressa. Além disso, muitas lembranças são simplesmente dolorosas e não há cura alguma a realizar. O provérbio “O tempo cura todas as feridas” é falso. O tempo cura a maioria das feridas. As demais ficam escondidas atrás dessa porta.
      Terceiro, existe a porta da loucura. Há momentos em que a mente recebe um golpe tão violento que se esconde atrás da insanidade. Ainda que isso não pareça benéfico, é. Há ocasiões em que a realidade não é nada além do penar, e, para fugir desse penar, a mente precisa deixá-la para trás.
      Por último, existe a porta da morte. O último recurso. Nada pode ferir-nos depois de morrermos, ou assim nos disseram.

(Patrick Rothfuss — O Nome do Vento)

Em um prédio no meio do coração da cidade, aparentando ser apenas mais um entre tantos outros, encontra-se um lugar estranho e uma menina estranha. Primeiro vamos falar do lugar estranho. Esse trata-se de um andar escondido do prédio. Nenhuma pessoa é capaz de encontrá-lo, a não ser que se esteja procurando por ele. Neste andar existem várias salas, onde pessoas são trancadas pelos mais diversos motivos. Desde empresários que são trancados a pedidos de outra pessoa para a prejudicar, até criminosos esperando a “poeira baixar”. A pessoa, na verdade trata-se de uma menina muito especial, com amplos poderes mentais e divinatórios. Nesse momento ela sonha. Um sonho tranqüilo onde brincando com uma mulher em um vasto campo de flores. A menina não sabe quem a mulher é, mas a mulher sabe quem a menina é e quem poderá ser, e é sobre isso que ela fala com a menina enquanto brinca com ela. Eva - que assim é chamada desde a época que foi criada e enganada pela serpente -, explica sobre os poderes da menina e o que ela poderá vir a se tornar. A menina não compreende agora, mas as palavras de Eva permanecerão na mente da criança até ela conseguir compreender e achará que a idéia de Eva é sua idéia. A menina acorda, e sua mãe não está mais nervosa por ela ter quebrado o vaso, mesmo que não tenha sido ela, ou será que foi? Ela apenas pensou em apertar o vaso, talvez foi por isso que ele o quebrou, mas sua mãe lhe disse que ela não podia quebrar as coisas somente usando a mente e também falou que ela mentirosa, por dizer que podia mover coisas e quebrá-las também, sem nem ao menos as tocar.


─ Jéferton

Chegada de um Skald

Naquela noite o vento soprava com uma força maior do que lhe era normal, assoviando ao passar pelas frestas das casas, carregano consigo as folhas secas do começo de inverno. As ruas encontravam-se destituídas de qualquer pessoa vivente, todos estavam em suas casas com suas famílias ou em alguma taverna, bebendo e divertindo-se com seus amigos, ninguém presenciou a chegada de um velho. O homem caminhava com dificuldades, mancando e tendo como ajuda o apoio de um velho cajado de carvalho retorcido com algumas runas entalhadas; para proteger-se do frio usava um grande manto marrom e grosso que lhe cobria todo o corpo, dos ombros até quase o chão.
Após caminhar por algum tempo e observar bem o vilarejo conseguiu encontra o que procurava, lá a frente estava a taverna, seu sinônimo de uma noite de calor, bebida e histórias.

Ao adentrar o recinto o velho logo sentiu o calor da lareira, o cheiro da bebida fermentada e o barulho as conversas dos trabalhadores - essas que logo pararam ao notar a presença do estranho. O velho caminhou em direção a mesa mais vaga perto da lareira, que era uma mesa quase no centro da taverna. Sentou-se e esperou até que um homem pequeno e gordo fosse até ele e, só então pediu sua caneca de hidromel e seu pão com ervas; porém, antes disso tratou de explicar sua situação.

─ Devo-lhe confessar a lastimável situação que eu me encontro, minha boca encontra-se seca e meu corpo necessita de algo para beber, assim como necessita de algum alimento, mas o dinheiro que teria que lhe pagar em troca eu não possuo. Sou apenas um pobre velho que caminha pelo mundo sem rumo certo; mas, não se precipites em achar que estou pedindo alimentos como esmola. Ah não, isso não, apesar de velho ainda possuo alguma habilidade para dar em troca de minha sobrevivência. Contar-lhe-ei os detalhes de acontecimentos que moldaram o mundo que hoje conhecemos, todos aqui terão conhecimento de uma personagem muito importante para a história de todo o mundo que conhecemos.

O pequeno taverneiro escutou as palavras do velho - que agora claramente demonstrava ser um skald - com atenção e após analisar um pouco aceitou a proposta do velho. A taverna permaneceu em silêncio, não um silêncio completo, apenas um silêncio de vozes, deixando que a rouca voz do skald reinasse pela taverna, instigando a imaginação de todos.

─ Jéferton

E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.

“Tu julgarás a ti mesmo – respondeu o rei. – É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.”


─ O Pequeno Príncipe

"Me ocorre que a peculiaridade da maioria das coisas que consideramos frágeis é como elas são na verdade, fortes. Havia truques que fazíamos com ovos, quando crianças, para demonstrar que eles são, apesar de não nos darmos conta disso, pequenos salões de mármore capazes de suportar grandes pressões, e muitos dizem que o bater de asas de uma borboleta no lugar certo pode criar um furacão do outro lado de um oceano. Corações podem ser partidos, mas o coração é o mais forte dos músculos, capaz de pulsar durante toda a vida, setenta vezes por minuto, não falhando quase nunca. Até sonhos, que são as coisas mais intangíveis e delicadas, podem se mostrar incrivelmente difíceis de matar."

— Neil Gaiman (Coisas Frágeis)

desejosagridoces said: Maninho *O* nhaac.

Mana. \õ/

Voltei para o Tumblr para te enjuar por aqui também. u_u

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